A SOLIDEZ defensiva e a maior coesão do meio-campo valeram domingo ao Beira Mar a primeira vitória no campeonato e logo fora de casa. Para a história feliz dos aveirenses contribuiu, no entanto, um golo nascido de um lance de bola parada com responsabilidades para os centrais do Alverca que deixaram Lobão, sozinho, cabecear com êxito para o fundo das redes de Paulo Santos. Nem podia ter sido de outra maneira, tão pobre foi o jogo, com as duas equipas a não conseguirem aproveitar as poucas oportunidades de golo que desfrutaram, em lances de bola corrida.

O triunfo do Beira Mar não oferece, porém, contestação. O Alverca teve mais tempo de posse de bola, jogou a maior parte do tempo em ataque continuado, mas a segurança de Palatsi, o estado da relva muito escorregadio e a sofreguidão dos avançados da casa foram deitando por terra qualquer veleidade dos ribatejanos. E depois de estar em vantagem, até foi o Beira Mar, uma equipa sempre mais serena e confiante, que esteve mais perto de aumentar o resultado do que o Alverca empatar.

Desejosos de apagar a má imagem deixada nas Antas e da consequente derrota pesada (0-6), os planos saíram furados à equipa de Jesualdo Ferreira, um treinador domingo muito vaiado no final do jogo. O Alverca averbou a sua segunda derrota consecutiva, a segunda em casa, e não conseguiu realizar, longe disso, uma exibição convincente. Foi sempre uma equipa nervosa, ansiosa, contrastando com a serenidade dos aveirenses, em pior situação classificativa.

ESQUEMAS QUASE IGUAIS

Alverca e Beira Mar apresentaram-se com esquemas semelhantes, de raiz ofensiva. Os ribatejanos num 4x2x1x3, os aveirenses em 4x1x2x3. A diferença estava no meio-campo, com vantagem para o Beira Mar, que apostou mais. O Alverca jogava com Diogo e Pedro Martins mais recuados em relação a Milinkovic, o Beira Mar utilizava Fernando Aguiar mais perto dos centrais, Luís Manuel e Ricardo Sousa à frente.

O jogo até começou mexido. Aos cinco minutos, Caju e Ricardo Sousa perdiam uma chance de marcar. Mais flagrante a oportunidade perdida pelo médio do Beira Mar, com Paulo Santos a defender com os pés. A dupla Óscar-Rui Dolores, muito rápida, fazia miséria no ataque em contragolpes perigosos. O Alverca tinha mais tempo a bola nos pés, mas não conseguia encontrar soluções para entrar na defesa contrária. Com Caju e Rui Borges desinspirados, Milinkovic, a espaços, procurava os desequilíbrios. Aos 16 e 18, o jugoslavo criou dois lances de perigo mas Palatsi correspondeu com boas defesas. A partir daqui o jogo decaiu muito, monótono e sem interesse.

No reatamento, o trio atacante do Alverca surgiu mais móvel, com Caju, Rui Borges e Ramires a trocarem de posições. Na sequência de um canto de Ramires, Veríssimo de cabeça quase marcava. Face ao crescendo do Alverca, António Sousa retirou Gamboa e lançou Fary, apostando na força do senegalês. Jesualdo respondeu da mesma moeda, retirando o tecnicista Milinkovic para entrar Mantorras. Mas pouco depois surgiria o golo do Beira Mar, com a defesa do Alverca toda a dormir.

A partir daqui a equipa aveirense recuou mais no terreno, reforçou-se no meio-campo com a entrada de Hugo e a saída de Óscar. O Alverca, com as entradas de Chiquinho Conde e Viveros e as saídas de Pedro Martins e Rui Borges, respectivamente, apostava no tudo ou nada, chegando, em fase de desespero, a jogar em 4x1x5. Mas o coração mandava mais que a cabeça e as jogadas de ataque eram pouco esclarecidas. E chegou a ser o Beirar Mar, em contra-ataque, a estar muito perto de dilatar a vantagem, por intermédio de Ricardo Sousa (76’ e 89’).

ARBITRAGEM

Teixeira Correia realizou um bom trabalho. O Beira Mar reclamou na primeira parte uma bola que terá entrado na baliza de Paulo Santos, depois de um lance muito confuso na pequena área. Pareceu-nos que o árbitro de Beja, seguindo a indicação do fiscal-de-linha, terá ajuizado bem.

GOLOS

0-1, aos 62 minutos, por LOBÃO. Livre na direita marcado por Ricardo Sousa, a defesa do Alverca falha e o central aveirense, sem ninguém a marcá-lo, mergulha de cabeça e bate Paulo Santos.